
Ao longo da revolução social, a rapidez em mudanças comportamentais traz como referência para formação familiar uma sociedade midiática, num contexto da globalização, das mudanças no mundo do trabalho e a velocidade das transformações advindas pelas tecnologias, como jamais fora.
As mudanças sócio-educativas neste século XXI vêm liderando uma cultura no que diz respeito à perda dos aspectos de valores na Família e na Escola. A família ganha várias formas de vida conjugal, institucionalizados ou não, e a escola não encontra a unidade entre todos que a percorrem.
Essas mudanças nas configurações familiares optaram por modelos educacionais que desprezaram as conversas, as regras, o limite. A responsabilidade da família para com o educar das etapas criança/adolescente vem sendo traduzida, também, em sala de aula. São freqüentes as queixas de professores quanto ao comportamento agressivo, e dispersivo de alunos. A criança nasce para aprender no entorno e, é a família quem a recebe ao nascer. Então, é na família, ainda que sem projetos de longo alcance, financeiro e intelectual, que conhecerá os primeiros contatos através do afeto e respeito, as primeiras noções do certo e errado, moldando com exemplos vicariantes. São esses exemplos que vão construindo a identidade do ser para o sucesso na vida.
A individualidade na família contemporânea, provocada pela perda da hierarquia: avós, pais, filhos e netos, que ela mesma percebe, traduzem sua referência no aprendizado atual, onde a ação pedagógica parece-me, não busca mais o conjunto entre os membros da família. A família contemporânea precisa adaptar-se aos novos valores sociais, mas sem que com isso perca o fio de ligação com o passado, onde a família era tida como o conjunto privilegiado das relações humanas. Neste sentido, pais precisam circular no mesmo espaço que os filhos, monitorarem faltas as aulas atualizarem-se em conhecimentos gerais. Conhecer e relacionar-se com os amigos e os pais de seus amigos, se possível, sensibilizando-os às relações construídas através do afeto e respeito, focadas em exemplos práticos, diários de suas vidas. Juntos, indagar sobre as conseqüências do agir sem pensar.
Dentro do processo histórico-social, nos tornamos seres éticos. Assim devemos ter por condição respeitar, e permitir a todos trilhar os caminhos necessários para o ser humano tornar-se um ser político, pois a educação é um ato político, não partidário. Um ser conhecedor de sua história é um ser capaz de observar, intervir e escolher, através de um aprendizado crítico por uma discussão fundamentada na ordem filosófica e ética: uma prática pedagógica transversal entrelaçada com todas as disciplinas obrigatórias, acionando a participação ao debate.
A instituição Escola, instituição fora da Família que a criança e o adolescente frequentam, não pode mais comportar-se como uma instituição que simula educar, que simula produzir conhecimentos. Para isso, penso que o caminho envolve Direção, Coordenação e os Docentes, estes precisam ousar, precisam mudar o rumo da escola, socializar o conhecimento da renovação diária, conscientes de que o papel fundamental de programas educativos é proporcionar o conhecimento para a compreensão do mundo, também tecnológico. O domínio dos instrumentos de aprendizagem permite às pessoas construírem um projeto de vida próprio, único: através de incentivos/motivações e, consequentemente, de ações e realizações. Assim, socializando o conhecimento estaremos permitindo a democracia.

