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“A NOVA GERAÇÃO DIGITAL PRECISA DE VALORES ÉTICOS”

Sobre o Autor:
Foto do rosto de PATRICIA PECK PINHEIRO
PATRICIA PECK PINHEIRO Advogada especialista em Direito Digital, sócia fundadora da Patricia Peck Pinheiro Advogados, autora do livro “Direito Digital” 3ª. Edição, publicado pela Editora Saraiva.


Patricia Peck fala sobre a educação na era virtual e aponta o que pretende com o "Movimento Criança Mais Segura na Internet"
Por Ana Luiza Basilio

Patrícia Peck sempre foi movida pela curiosidade. Aos 13 anos já programava e aos 17 decidiu que faria faculdade de Direito motivada principalmente pela afinidade que possuía com a produção de textos. Embora tenha investido em produções literárias – suas crônicas e poesias já lhe renderam algumas premiações – Patrícia nunca se distanciou dos temas tecnológicos, o que a fez direcionar a graduação para a área de contratos, “ferramenta de linguagem jurídica para determinar a lei entre as partes em uma relação”, define a especialista. O trabalho jurídico aproximou a profissional de mídias como TV interativa, VOIP e Internet e tal vivência foi relatada pela primeira vez em 2002 com a publicação do livro “Direito Digital”, pela Editora Saraiva. Já em 2004, Patrícia lançou mão de um escritório jurídico próprio – Patrícia Peck Pinheiro Advogados -, especializado em Direito Digital. “Para atuar com sucesso nesta área é preciso agir como estrategista, contar com conhecimento multidisciplinar e possuir uma visão de risco capaz de criar novas soluções para atender a uma realidade em metamorfose, com outra dinâmica de espaço-tempo”, comemora a profissional diante do crescimento registrado não só pela sede em São Paulo, mas também pelas filiais regionais em Brasília e Curitiba.

Em entrevista exclusiva ao NET Educação, a advogada especialista em direito digital fala sobre a educação na era virtual e aponta o que pretende com a campanha “Movimento Criança Mais Segura na Internet”.

Net Educação – Qual o maior desafio ao lidar com o direito digital na vida de crianças e adolescentes?
Patricia Peck: O maior desafio é educar, formar a nova geração digital em valores éticos e de acordo com as leis vigentes.

Net Educação – Crianças e adolescentes são protegidos por alguma lei específica no mundo virtual?
Patricia Peck: As mesmas leis do mundo real se aplicam ao mundo virtual. No caso de crianças e adolescentes, as leis de proteção são estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, pelo Código Civil, pelo Código Penal, pela Constituição Federal de 1988. No entanto, se essas leis forem descumpridas via internet há um agravante de pena, ou seja, o infrator sofrerá uma condenação maior – multa ou indenização – pelo fato do ambiente virtual gerar maior exposição. Crimes como pedofilia, difamação, ameaças já são previstos na lei comum. O diferencial é que agora tais práticas usam o computador como meio de execução, por isso a importância da colaboração internacional para combater os crimes eletrônicos.

Net Educação – Pais e responsáveis devem estar cientes das leis que protegem a integridade de seus filhos na internet? Por quê?
Patricia Peck: Acredito que todo cidadão deve estar ciente das leis em vigor. No caso de pessoas que possuem um menor sob sua guarda e responsabilidade, o ideal é estar ciente e instruir, ou seja, passar a informação pra frente. Os pais e responsáveis não podem entregar um celular com câmera para uma criança e não dizer para ele, “meu filho, segundo o artigo 5º, inciso X da Constituição Federal Brasileira, você não pode tirar foto dos outros e publicar na web sem autorização deles”; ou ainda “não passe sua senha para outras pessoas”, “não se faça passar por outra pessoa na internet, pois isso configura o crime de falsa identidade previsto no artigo 307 do Código Penal e pode lhe trazer grandes problemas”.

Net Educação – Essas leis de proteção são divulgadas corretamente, ou seja, elas chegam ao conhecimento dos usuários de forma eficaz?
Patricia Peck: Não. O brasileiro em geral não conhece as leis, há pouca divulgação das mesmas. No entanto, há total publicidade e informação sobre as leis na Internet, basta buscá-las. No entanto, a postura da maioria ainda é passiva, ou seja, se não me apresentam eu não sei. Conhecer a lei é um ônus do cidadão, ele que tem que ir atrás. Por outro lado, acredito que a escola poderia ajudar a dissimular tais direitos e deveres, pois, dessa forma, alcançaríamos a família e estaríamos mais próximos de formar uma geração mais consciente, mais ética.

Net Educação – Como você avalia a presença da internet em meio à educação de nossas crianças e jovens?
Patricia Peck: Acredito que a internet é uma excelente ferramenta de ensino, mas deve ser bem utilizada, com base em um contexto educacional e pedagógico. As crianças devem ser assistidas sempre. O fato de uma criança de 3 ou 4 anos sabe clicar no mouse não significa que esteja preparada para navegar na internet. Mais do que aprendizado técnico, é preciso estimular o uso ético, seguro e legal da tecnologia, o que envolve comportamento, postura.

Net Educação – Crianças e adolescentes devem ser acompanhadas de perto por pais ou responsáveis quando em contato com a internet?
Patricia Peck: Claro que sim, até que os pais percebam que o mesmo já tem maturidade e postura suficiente para depois fazê-lo sozinho. Não se pode delegar ao computador ou à TV a tarefa de “cuidar” do nosso filho.

Net Educação – Os pais e responsáveis estão preparados para a educação virtual? Se não, qual é o caminho para adquirir tal preparo?
Patricia Peck: Estamos em um momento de transição, com quebra de paradigmas, com mudanças de hábitos. Os pais também precisam de orientação para estar capacitados a dar o exemplo e a ensinar seus filhos. Deve-se focar na família como um todo.

Net Educação – O Movimento Criança Mais Segura na Internet surgiu dentro desse cenário?
Patricia Peck: Sim. O movimento tem a proposta de conscientizar e capacitar a nova geração por meio da família e da escola, com o objetivo de formar e informar usuários digitalmente corretos. O movimento possui conteúdo pedagógico gratuito que inclui orientação sobre leis aplicadas à nova era tecnológica digital e também conta com treinamento de voluntários e professores, com o propósito de tornar obrigatória a disciplina de cidadania e ética digital na grade de ensino.

Net Educação – Os pais são o público alvo do movimento?
Patricia Peck: Também são. Não há como disseminar um processo de educação sustentável sem envolver a família, o exemplo de dentro de casa.

Net Educação – Qual a metodologia aplicada no Movimento Criança Mais Segura na Internet? Que materiais foram elaborados e como eles chegarão aos usuários?
Patricia Peck: O grande canal de comunicação do Movimento é o site que contém cartilhas, textos, vídeos, podcasts, FAQ e Chat direcionados ao assunto. Há ainda um cadastro por meio do qual as escolas recebem uma palestra gratuita sobre o tema, além de uma área para um abaixo assinado digital para que, em longo prazo, o direito digital seja obrigatório nas escolas.

Net Educação – Como será feita a divulgação da campanha?
Patricia Peck: Por meio da imprensa e também do boca a boca. O Movimento estimula o ativismo digital, ou seja, a ideia é que as pessoas o disseminem.

Net Educação – Como você pretende medir o impacto do Movimento no público?
Patricia Peck: Há um modelo para medição dos resultados, considerando a quantidade de pessoas atingidas pelo Movimento.

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