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BULLYING, O ASSÉDIO LEVADO À BARBÁRIE

Um problema "invisível", mas altamente perverso...

Um problema "invisível", mas altamente perverso, começa a tomar dimensão quase incontrolável nas escolas brasileiras. Trata-se do bullying (pronuncia-se búlin), termo em inglês que se encaixa na definição de assédio moral. Designa também um tipo especial de violência "invisível", mas tão destruidor quanto as demais manifestações de agressão com as quais os brasileiros são obrigados a conviver.

O bullying é um tipo de agressão, física ou emocional, que ocorre de forma repetitiva e intencional, sem motivação evidente. Dissimulados, os atos de bullying entre escolares costumam acontecer quando não há adultos por perto, na entrada ou saída da escola, ou mesmo em corredores, pátios e quadras dos colégios. Vão desde simples humilhações verbais , extremamente cáusticas, a agressões físicas, passando por atos de intimidação ou discriminação. Vale lembrar que esse tipo de assédio não se limita, contudo, às relações entre escolares. Ele se dá igualmente entre adultos, nas relações sociais e de trabalho. 

Lesão na coluna – Várias notícias recentes mostram como o bullying pode ser um problema sério. É o caso de um garoto de 9 anos residente em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, que frequentemente era intimidado por seus coleguinhas por um único motivo: ser gago. Em 16 de setembro, o garoto chegou a ser hospitalizado com lesões na coluna devido às agressões de cinco colegas, todos com menos de 12 anos. A mãe do garoto, Kênia Helena Silveira Dutra, conta que desde o inicio do ano pediu aos diretores da escola que tomassem providências, pois o filho era perseguido pelos colegas. 

"A diretora sabia que os outros garotos empurravam e batiam no meu filho", conta Kênia, "mas me disse que a escola é para estudar, não para educar, pois a educação se dá em casa." A mãe não se conforma com a omissão da diretora da escola. "Depois que meu filho foi hospitalizado, ela disse que foi uma fatalidade. Acho que ela deveria ter dado mais atenção ao que acontecia e chamado os pais dos envolvidos para conversar." 

Chutes na cabeça – Casos como esse, porém, estão se tornando cada vez mais comuns. Em 22 de outubro, em Fernandópolis, a Justiça decidiu internar dois adolescentes de 13 anos  na Fundação Casa por terem agredido com pontapés na cabeça um garoto de 10 anos. O caso ocorreu em março durante uma "brincadeira".
Outros alunos da escola relataram agressões por parte da dupla, que já tinha passagens pelo Conselho Tutelar. Como o termo bullying não existe na lei, o juiz da Infância e Juventude da cidade, Evandro Pelarin,  considerou o caso crime de agressão para basear sua decisão. 

Depressão – No dia a dia, contudo, o problema passa despercebido, embora suas consequências possam ser igualmente funestas. A constante intimidação de colegas, com agressões verbais ou outros comportamentos,  por conta de alguma característica física ou de personalidade, costuma levar a vítima à perda da autoestima, ao isolamento social e à depressão. Em alguns casos,  o problema pode induzir tendências suicidas na vítima. 

São Paulo tem lei específica

O bullying vem atraindo a atenção das autoridades. A Promotoria da Infância e Juventude da  Paraíba lançou a campanha "Bulliyng não é brincadeira" e vários governos estaduais e municipais estudam a adoção de medidas para conter o problema.

São Paulo acaba de aprovar uma lei, de autoria do vereador Gabriel Chalita (PSB), que institui um programa antibullying na rede de ensino municipal. As comissões da Câmara Federal apreciam o projeto que propõe o Programa de Combate ao Bullying, de autoria do deputado Vieira da Cunha (PT-RS). "Decidi apresentar o projeto diante da constatação de que há pouco empenho em resolver o problema, com iniciativas isoladas e não abrangentes de umas poucas escolas", diz o deputado.

Embora não haja um levantamento sobre a dimensão que o problema tem no Brasil, o consultor em Direitos Humanos e Segurança Pública Marcos Rolim cita alguns estudos localizados sobre bullying. O que mais chama a atenção é a pesquisa realizada em 11 escolas do Rio de Janeiro pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência, que indica que 40% dos alunos estavam envolvidos em bullying, seja como vítimas, seja como agressores.

Rolim alerta que "no Brasil, o problema é grave pois os porcentuais das pesquisas acompanham ou ultrapassam as médias mundiais."  Ele lembra que o famoso caso da tragédia de Columbine, em 1999, nos Estados Unidos, começou com o bullying dos colegas contra os dois garotos que mataram a tiros 14 colegas e um professor. 

Fonte: Diário do Comércio

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