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07/09/2017 | Colunista: Talita Moretto

Crianças e TV: a importância da mediação

Conteúdos infantis precisam ser escolhidos com cuidado
Após nove anos trabalhando com mídia, tecnologias e educação, e aos 32 anos de idade, finalmente, em 2016, tornei-me mãe de uma menina. Inevitavelmente, canais infantis começaram a fazer parte da rotina. 
 
Nos primeiros meses, procurei evitar algumas séries que eu julgava não serem tão apropriadas para a formação de uma criança. Em junho, minha filha completou 1 ano e agora eu a deixo assistir um pouco a aquelas séries “inapropriadas” porque é necessário, já que ela começou a ir para a escola e a ter contato com outras crianças com formações diferentes. Mas estou sempre ao lado dela quando assiste a esses programas.
 
Fazendo uma análise do que é oferecido na televisão - majoritariamente, nos canais por assinatura (a oferta em canais abertos diminuiu drasticamente nos últimos anos) -, considerando o acesso facilitado às tecnologias digitais e o perfil dos pais modernos, percebo que falta análise por parte dos pais, conhecimento do conteúdo das séries. O foco passou a ser a facilidade de distrair e manter a criança calma para que outras tarefas sejam executadas. 
 
Nos canais mais famosos, existem as séries “da moda”. Por exemplo, a Peppa Pig, que eu, particularmente, sou contra. Embora algumas pessoas defendam a Peppa, como o editor da Nova Escola, Rodrigo Ratier, que escreveu um texto muito bom aliás, apresentando uma excelente análise da série, ainda não estou convencida de que a Peppa, neste momento, seja adequada para minha filha. Eu estou mais apta a concordar com análises que mostram que as características da porquinha são a indelicadeza de modos, o comportamento inapropriado, a arrogância e o complexo de superioridade.
 
Concordo que são atitudes comuns em crianças em formação, porém, não concordo que esses comportamentos devam ser incentivados. Já ouvi vários relatos de pais apontando o quanto seus filhos passaram a desrespeitar mais a família após conhecer a Peppa. É claro que a série não afeta a todas as crianças, mas como saber de que forma vai afetar a minha filha? Então, monitoro o acesso a esse tipo de conteúdo. Ela ainda aceita bem (sem briga ou birra) quando mudo de canal.
 
O Show da Luna trata, de forma bem lúdica e musical, assuntos mais complexos. Eu mesma aprendo demais com a série. A relação da Luna com seu irmão mais novo é bonita, pois a menina é compreensiva e amorosa. De fato, não reflete a verdadeira relação entre irmãos, que por mais que se gostem sempre há uma briguinha. Mas eu prefiro que seja assim. 
 
Tem também o Meu Amigãozão. São três amigos (dois meninos e uma menina) com características físicas e personalidades distintas, junto com seus amigos imaginários, os quais possuem a personalidade das crianças. Tem birra, tem egoísmo, tem choro, mas tem companheirismo e compreensão. A cada episódio, criam-se histórias imaginárias para resolver algum conflito interno de cada criança. Ao final, tudo se resolve.
 
Masha e o Urso é um desenho totalmente fantástico. A série é baseada em um conto de fadas do folclore russo . Embora Masha seja travessa e tenha atitudes típicas de criança, ela ama os amigos animais, não é grosseira, não é mimada, não é arrogante, e isso é bonito na série. Episódios de cinco minutos bem elaborados, com começo, meio e fim, alegres e divertidos. 
 
Em resumo, nenhum desenho é perfeito ou reflete o comportamento real de uma criança. O ponto é que embora as crianças tenham comportamentos adversos, afinal, estão em fase de desenvolvimento e formação de personalidade e de valores, acredito que não podemos incentivar comportamentos de egoísmo, de prepotência e de arrogância. Por isso, opto por desenhos que usam a fantasia para mostrar que é possível refletir sobre suas ações, ter bom comportamento e bom relacionamento com seus pais e seus amigos.
 
Cada família pode decidir o que a criança vai consumir na indústria do entretenimento, mas deixar uma criança sozinha no controle da programação, ou deixar a criança ditar as regras e impor o que deseja assistir não é a melhor educação a ser dada.
 
Vejo muito pais de crianças de 2, 3 anos de idade entregando seus celulares nas mãos dos filhos sob o pretexto: “Ele/Ela já sabe mexer”.
 
O fato de crianças terem habilidade e facilidade em manusear uma tecnologia não significa que saibam o que estão fazendo. Deixar a criança sozinha buscar na Internet seus desenhos favoritos é perigoso. Primeiro: O celular é do pai/mãe e não da criança, com aplicativos e sites armazenados que são usados por adultos; Segundo: A criança pode encontrar o que não estava procurando.
 
Minha intenção com este texto não é indicar quais programas as suas crianças devem ou não assistir, afinal, este é um texto de opinião, a minha opinião. O objetivo foi levantar a discussão de que não importa o que sua criança está consumindo, desde que você saiba, concorde e acompanhe.
 
Minha filha ama e continuará assistindo aos vídeos da Galinha Pintadinha. Ela aprendeu as partes do corpo, a bater palmas, a mandar beijo e dar tchau com essas músicas. Fica a dica para pais recentes: Antes de se preocupar sobre qual desenho deixar seu filho/filha assistir nos primeiros meses de vida, opte por algo simples, colorido e musical. Enquanto isso, vice pode assistir às séries, conhecer o enredo e o conteúdo, então, estará mais preparado para saber o que indicar aos filhos quando chegar a hora.
Talita Moretto

Talita Moretto

Talita Moretto é especializada no uso de mídia e tecnologias aplicadas à educação. Atua na área desde 2008, dedicando-se, especialmente, à formação de professores. Idealizadora e diretora do Sala Aberta (salaaberta.com.br), é também coordenadora de Tecnologia Educacional no Colégio Sepam, em Ponta Grossa (PR). Contato: talitamoretto@salaaberta.com.br.

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(2) Comentários


  • Carlos Vasconcellos • 09/11/2017

    Boa tarde, Perfeita a sua análise e preocupação de conteudo a ser disponibilizado e liberado a sua filha e as crianças que venham a ter esse tipo de acesso devido a tv paga, já que em minha época os conteúdos eram, acredito que mais apropriados aquela realizadade em que viviamos, porém com a chegada da idade isso tende se divirtuar em alguns aspectos, já que o convivio escolar muda um pouco esse modo em que nós pais tentamos preservar nossos filhos. Eu hoje tenho muito receio dos futuros adultos que terão estes jovens de hoje, aonde a sociedade converge para valores morais que não são exemplos de famílias constituídas em formato tradicionais, aonde a violência e o desrespeito e a imoralidade se sobrepõe ao modo de se viver. Hoje tenho uma filha de 12 anos e vejo o quanto as mídias sociais, tv e internet afetaram a personalidade dela. Antes conseguíamos fazer como você em se preocupar do que deveria assistir, mas nesta fase da adolescência o convívio com outras mentalidades atrapalha em muito, desde meninas e meninos na mesma faixa etária como mais velhos. Os problemas vão desde namoro menino x menina, como as outras formas de "amar/ ficar". Espero que esteja errado dessa visão quanto a essa juventude, pois nossa sociedade não amadurece para a triste realidade das escolas, familía, religião e deles próprios. Um abraço.


  • isis • 09/11/2017

    Texto fantástico. Concordo 100% da sua opinião.


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