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30/11/2017 | Fonte: Leonardo Valle

5 informações sobre HIV que precisam ser atualizadas na escola

Agentes de prevenção e ativistas revelam as dúvidas mais comuns em palestras escolares
Celebrado em 1º de dezembro, o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS é uma oportunidade de introduzir o tema na sala de aula. Contudo, agentes de prevenção e ativistas que palestram em escolas alertam sobre informações equivocadas que ainda circulam. 
 
“A prevenção se tornou apenas ‘use camisinha’. Mesmo os professores desconhecem as novas tecnologias e os serviços disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS)”, aponta o agente de prevenção do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), Rodrigo Paiva. “Além disso, viver com HIV, nos dias de hoje, é diferente do que nos anos 80 e 90”, reforça.
 
A seguir, os profissionais apontam as principais dúvidas e estereótipos nas falas de docentes e estudantes. Confira! 
 
Indetectável = intrasmissível
A pessoa que vive com HIV, quando em tratamento, tem a possibilidade de ficar com a carga viral indetectável. “A quantidade de vírus circulante no seu sangue é tão pequena que não consegue mais ser detectada pelos exames. Após seis meses sem carga viral reconhecida, o paciente é considerado indetectável”, descreve Paiva. Desde 2016, estudos de amplo alcance atestaram que a pessoa indetectável é incapaz de transmitir o vírus em qualquer relação sexual. 
 
Todos têm responsabilidade 
Nem toda a pessoa em tratamento, contudo, ficará indetectável. Ainda assim, isso não impede o relacionamento entre parceiros sorodiferentes (quando apenas um é HIV positivo). 
 
Na Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), o parceiro negativo (sem o vírus) pode tomar um comprimido diário que combina os medicamentos  tenofovir e emtricitabina, impedindo  uma possível infecção. “A responsabilidade é compartilhada entre o casal”, lembra a artista plástica Mycaela Cirino. 
 
O medicamento estará disponível, gratuitamente, pelo SUS a partir do dia 1 de dezembro de 2017 para casais sorodiferentes, homens gays, transgêneros e profissionais do sexo. 
 
Camisinha não é a única forma de prevenção
Durante três décadas, a camisinha foi a única forma de prevenir o HIV. Contudo, hoje, a PrEP, a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), a testagem e o próprio tratamento da pessoa soropositiva são vistos como medidas preventivas. “Falamos agora de prevenção combinada. A PrEP, por exemplo, é importante porque o indivíduo deixa de depender do parceiro para se proteger”, destaca o agente de prevenção do GIV, Alisson Barreto. 
 
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) consiste em medicamentos retrovirais administrados até três dias após uma possível exposição ao vírus. O tratamento dura 28 dias. 
 
O soropositivo não é culpado
Soropositiva por transmissão vertical (quando a mãe infecta o bebê durante a gestação), Mycaela  conta questionamentos de educadores sobre a sua mãe. “Uma professora me perguntou ‘o que eu sentia pela minha progenitora por ter me passado HIV’. Naquele discurso, ele estava afastando a minha mãe do seu lugar de mãe e a culpava pela minha infecção”, revela. “O que eu explico é que há uma falha no sistema. Nos anos 80, foi construída uma ideia de que a AIDS era uma epidemia restrita a homens gays, não a heterossexuais”, esclarece. 
 
Para o ator, ativista e youtuber, Gabriel Estrela, o estereótipo da pessoa que vive com HIV ainda recai sobre as relações. “Ainda há o mito de quem se infectou é promíscuo”, acrescenta.  
 
Falar sobre sexo é falar de prazer
Durante uma conversa em uma turma de ensino médio, Gabriel notou um adolescente agressivo. “Quando perguntei se havia ali alguém que preferia transar sem camisinha, ele foi o único que levantou a mão. Só a partir dessa confissão, pudemos falar sobre outras formas de prevenção e ele se sentiu contemplado pela palestra. Mas, claro, sempre ressaltando o possível risco em cada uma delas. Mesmo a camisinha não é 100% eficiente”. 
 
Para Estrela, há um desejo do jovem em falar sobre sexo. “Falar sobre prevenção ao HIV é falar sobre prazer, relacionamento e saúde de maneira abrangente. Não sobre medo e punição”, afirma. “Não se fala livremente sobre sexualidade na escola. A educação sexual é negada ou regada a questões religiosas e punitivas. Isso impede o fim do estigma e do preconceito”, completa Cirino. 
 
Professores da rede pública da cidade de São Paulo, de qualquer disciplina, podem solicitar, gratuitamente, as palestras educativas do GIV pelo e-mail giv@giv.com.br.

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(1) Comentário


  • Gentil De Jesus Alexandre • 03/12/2017

    Saí felizardo com esta informação sobre o HIV, são dúvidas que sempre precisei.


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